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Dona Beatriz, moradora de Jaboatão, completa 115 anos e é a 6ª pessoa mais velha do mundo

Dona Beatriz Ferreira Duarte nasceu em Moreno em 21 de junho de 1911 e está entre as seis pessoas vivas mais velhas do mundo, com idade certificada pela organização internacional LongeviQuest

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Larissa Lima

Enquanto o Nordeste inteiro rala o bucho e celebra as tradições do ciclo junino, a cidade de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, parou para festejar um verdadeiro milagre da vida e da ciência. No último domingo, 21 de junho de 2026, a pernambucana Beatriz Ferreira Duarte comemorou a impressionante marca de 115 anos de idade.

Moradora de Jaboatão e natural de Moreno, Dona Beatriz não é apenas um orgulho para a sua família; ela é um patrimônio humano global. Ela ocupa atualmente o posto de segunda pessoa viva mais velha do Brasil (atrás apenas da alagoana Yolanda Beltrão de Azevedo) e a sexta pessoa mais longeva do planeta, segundo a LongeviQuest, prestigiada organização internacional que valida registros de supercentenários (pessoas que ultrapassam os 110 anos de idade).

Uma Saúde que Desafia a Medicina: Zero Remédios!

Se chegar aos $115\text{ anos}$ já é um feito raríssimo que desafia as estatísticas da biologia humana, a forma como Dona Beatriz atingiu essa marca é o que mais impressiona os médicos e pesquisadores.

A aniversariante não faz uso de nenhuma medicação contínua! Seus exames laboratoriais e taxas de saúde são impecáveis. Embora hoje use cadeira de rodas e precise de auxílio diário para se locomover e se alimentar, a sua vitalidade sempre foi fora da curva: a pernambucana praticava corrida e natação até os 104 anos de idade!

A bisneta de Dona Beatriz recorda com carinho a coordenação motora que a bisavó exibia mesmo já muito idosa:

“Tem algumas cenas para mim que são memoráveis. Ela já bem velhinha derramava o café quente no pires, não era na xícara não, levantava com firmeza até a boca e tomava sem tremer, equilibrando tudo. Uma vitalidade absurda”, recorda emocionada.

Uma Vida de Fé, Calmaria e Fortaleza

Nascida na cidade de Moreno, na Zona da Mata de Pernambuco, no dia 21 de junho de 1911 — quando o mundo sequer sonhava com a Primeira Guerra Mundial —, Beatriz cresceu em uma família numerosa de 12 irmãos, sendo a única sobrevivente de sua geração (sua irmã mais nova faleceu em 2021, aos 95 anos).

Ela casou-se com Amaro Cipriano Duarte, com quem construiu uma vida de muito trabalho doméstico e dedicação aos filhos em Jaboatão dos Guararapes. Viúva desde 1990, Dona Beatriz enfrentou perdas dolorosas ao longo de sua trajetória, incluindo a morte de quatro de seus oito filhos logo após o nascimento e, mais recentemente, a partida de sua filha Maria Auxiliadora, em 2019, aos 70 anos.

Católica fervorosa e praticante, Dona Beatriz sempre atribuiu sua longa vida a dois pilares fundamentais: a obediência aos pais e a fé inabalável em Deus.

Sua filha Bernadete Duarte, de 70 anos, destaca que o maior segredo da mãe para atravessar o século com tanta suavidade foi a paz de espírito:

“Ela nunca foi uma pessoa desesperada. Sempre manteve a calma diante de todas as situações difíceis, mesmo nas perdas. Dizia que devemos viver o dia de hoje, porque o amanhã pertence a Deus. Chegar à minha idade com a minha mãe viva e saudável é a maior bênção que eu poderia pedir”, celebra Bernadete.

Como a Idade foi Comprovada?

A história de Dona Beatriz chegou ao conhecimento dos pesquisadores da LongeviQuest quase por acaso, graças às redes sociais. Quando ela completou 112 anos, a família publicou uma foto despretensiosa no Instagram.

A imagem chamou a atenção da organização internacional de demografia, que entrou em contato com os familiares. Os parentes mobilizaram-se para reunir certidões de nascimento, casamento, registros de batismo e documentos antigos de Moreno e Jaboatão. Após um rigoroso processo de cruzamento de dados, a idade de Dona Beatriz foi oficialmente validada em 12 de setembro de 2023, integrando-a ao seleto hall dos supercentenários mundiais.

Comemoração em Família

Atualmente, Dona Beatriz vive sob os cuidados carinhosos de sua filha Dulce e conta com o apoio de cuidadores. Embora fale pouco e esteja mais reservada do que em anos anteriores, ela ainda demonstra traços marcantes de sua personalidade forte — como reclamar, à sua maneira, se alguém ousar sentar em sua poltrona preferida na sala.

A celebração dos 115 anos contou com uma festa simples, mas repleta de significado, reunindo as três filhas vivas, sete netos, 12 bisnetos e dois tataranetos (um deles ainda na barriga da mãe). De presente, a matriarca recebeu fraldas geriátricas e, acima de tudo, o amor e a reverência de quatro gerações que têm o privilégio de conviver com a história viva do nosso estado.