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Maciel Salú - Rabeca e Maracatu Rural

Maciel Salú

Maciel Salú é Rabequeiro, cantor, compositor e mestre de maracatu rural nascido em Olinda, filho de Mestre Salustiano, representante da terceira geração da família Salustiano e militante das tradições populares
Origem: Olinda/ PE
Gênero Musical: Música Regional

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Maciel Salustiano Soares, conhecido artisticamente como Maciel Salú, representa uma das vozes mais autênticas e inovadoras da cultura popular pernambucana contemporânea. Nascido em Olinda, no bairro Cidade Tabajara, ele emerge como rabequeiro, cantor, compositor, mestre de maracatu-rural e militante das tradições populares, consolidando-se como o nome mais expressivo da rabeca pernambucana em sua geração.

Herança Familiar e Formação Cultural

Maciel pertence à terceira geração do clã rabequeiro dos Salustiano, uma das famílias mais expressivas na cultura popular de Pernambuco. Filho do conhecido Mestre Salustiano (1945-2008) e neto de João Salustiano, ele cresceu em meio a maracatus, cirandas, cavalos-marinhos, cocos e a rabeca do avô, que aprendeu a tocar e afinar desde cedo.

Educação Cultural Rigorosa

A educação que recebeu foi linha dura: “Nós não podíamos sair para brincar. Com papai, tínhamos que trabalhar duro desde pequenos. Nas horas vagas íamos para as sambadas de maracatu, coco, cavalo-marinho, dentre outras coisas”. Esta formação rigorosa proporcionou-lhe conhecimento profundo das tradições populares desde a infância.

Sua única diversão permitida era brincar cavalo-marinho, coco e maracatu com o pai e os irmãos nas festas do Recife e do interior de Pernambuco. Esta vivência intensa com as manifestações culturais moldou sua identidade artística e sua compreensão das tradições nordestinas.

Primeiros Passos Musicais

Bandas Familiares

A carreira musical começou dentro da família nas bandas Quentes do Forró, fundada pelo tio Antonio Salustiano, em que Maciel cantava e tocava zabumba, e Sonho da Rabeca, formada por seu pai, irmãos e agregados. Esta experiência familiar foi fundamental para seu desenvolvimento técnico e artístico.

Busca por Conhecimento

Maciel não se contentou apenas com os conhecimentos passados por sua família e começou a buscar mais. Entre observações e conversas, foi cultivando amizades com os grandes mestres populares, como Luiz Paixão, Pitunga, Zé Duda e Mariano Teles.

Chão e Chinelo: Primeiro Projeto Profissional

Encontro Decisivo (1997)

Em 1997, conheceu o zabumbeiro Caçapa, em uma festa na Cidade Tabajara, em Olinda, que o apresentou aos integrantes da banda Chão e Chinelo. Maciel foi chamado para assistir os ensaios da banda, e logo no segundo foi convidado para fazer parte do grupo.

Sucesso Imediato

O trabalho com a banda foi tão bem-sucedido que no ano seguinte lançaram o primeiro CD, “Loa do Boi Meia-Noite”. Esta experiência, que durou apenas três anos, foi fundamental para sua projeção no cenário musical pernambucano.

Formação Acadêmica e Expansão Musical

Conservatório de Música de Olinda

A partir do trabalho com a banda, Maciel decidiu se aperfeiçoar no Conservatório de Música de Olinda (Cemo). Começou então a conhecer novos ritmos e músicos, dentre eles, o DJ Dolores.

Parceria com DJ Dolores

Os dois haviam sido convidados para fazer a trilha sonora da peça “A Máquina”, de João Falcão. Esta colaboração levou à formação da DJ Dolores & Orquestra Santa Massa em 2002, projeto que incluía Fábio Trummer (vocalista do Eddie), Isaar França (ex-Comadre Florzinha) e Mr. Jam (percussionista de Lula Queiroga).

Projeção Internacional

Juntos, lançaram o CD “Contraditório” e fizeram várias turnês no Brasil e Europa. Foram 34 shows em 30 festivais. Outra trilha que Maciel dividiu com Dolores foi a do filme “Narradores de Javé”, de Eliane Caffé.

Carreira Solo e Discografia

“A Pisada é Assim” (2004)

Paralelamente ao trabalho com Dolores, Maciel começou a preparar seu projeto solo, lançando em 2004 seu primeiro CD, “Maciel Salú e o Terno do Terreiro – A pisada é Assim”. Nesse disco, grande parte das músicas é de sua autoria. São letras que falam basicamente do cotidiano urbano, da Zona da Mata e da luta diária do povo.

Formação do Terno do Terreiro

O Terno do Terreiro é formado por Juliano Holanda, no baixo, bandolim e violão de dez cordas, Bruno Lopes e Tiné na percussão e voz, Zé Mário Freitas e Rudá Rocha na percussão.

Discografia Completa

De 2003 até hoje lançou seis discos solo:

  • “A Pisada é Assim” (2004) – primeiro CD solo
  • “Na Luz do Carboreto” (2006) – segundo álbum
  • “Mundo” – terceiro trabalho
  • “Baile de Rabeca” (2016) – quarto álbum
  • “Liberdade” (2018) – trabalho mais atual

“Liberdade” – Álbum de Consciência Social

O disco “Liberdade” relaciona a cultura e temas sociais, falando sobre racismo, violência, democracia e preconceito. Segundo Maciel: “Tudo pelo que eu passei, o racismo, o preconceito, várias coisas que já vi meu pai passar. Tudo o que anda acontecendo no Brasil, em outros países”.

Diversidade Musical

“O disco tem de tudo, tem música pop; uma levada de maracatu com bateria, baixo e rabeca; tem batidas de afrobeat, você vê um pouco de cumbia. O disco é a minha identidade”.

Inovação e Experimentação Musical

Filosofia Artística

Apesar de não largar o tradicional, coisa de raiz, Maciel quis abrir a cabeça para os novos ritmos. Ele é bastante enfático quando afirma: “Faço música para o mundo”. Recebe muitas críticas, inclusive do pai, por misturar, por exemplo, guitarra com rabeca. “Quando é bem feito, vale a pena”, diz.

Versatilidade de Repertório

No baile de Maciel Salú tem forró, samba, marchinha, cumbia… Todos os ritmos embalados por um instrumento muito especial. Seu repertório inclui cocos, “baianos” de cavalo-marinho e composições próprias.

Orquestra Contemporânea de Olinda

Projeto Experimental

Hoje fazendo parte da Orquestra Contemporânea de Olinda, Maciel dedica-se igualmente à Orquestra Contemporânea de Olinda, uma junção dos integrantes do Terno do Terreiro com músicos da Orquestra Henrique Dias.

Repertório Diversificado

No repertório, alguns clássicos como “Canto da Sereia”, de Oswaldo Nunes, além de muito frevo, ritmos latinos e forró. A banda é uma espécie de orquestra-laboratório, e pretende ser um pontapé inicial para incentivar novos músicos.

Militância Cultural e Social

Defesa das Tradições Populares

Salú concilia o tempo de trabalho solo com a valorização da cultura popular que vive e conhece desde que se entende como ser humano. Como militante das tradições populares, ele atua ativamente na preservação cultural.

Questões Sociais e Culturais

Em 2014, um inquérito foi instaurado para apurar violações e abusos da Polícia Militar, que impedia que as sambadas acontecessem. Maciel evidenciou a distância entre os grupos culturais e o poder público, especialmente as secretarias municipais e estadual, que deveriam conhecer e proteger as manifestações culturais.

Preservação da Memória Cultural

Para Salú, um dos desafios para a valorização popular é a “perda” da memória, que é sistemática, quando se apaga ou apenas deixa de registrar manifestações culturais locais.

Características Artísticas e Influências

Conexão com a Rabeca

“A rabeca para mim é tudo. Primeiramente Deus e meus devotos, mas é um instrumento muito especial, que foi através dele e através da minha cultura que eu comecei a mostrar quem é Maciel Salú e as composições de Maciel Salú”.

Referências Musicais

Dentre suas referências musicais estão Azulão, Ari Lobo, Luiz Gonzaga, Nação Zumbi, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Jacinto Silva, Mundo Livre S/A, Chico Buarque, sambas de cabaré e ritmos cubanos.

Filosofia de Trabalho

“Não posso esquecer o popular, isso é minha história. Eu misturo o tradicional com o contemporâneo, sem perder a minha referência. Tem que ser assim até mesmo quando se canta música de outro compositor”.

Vida Pessoal e Parcerias

Família Artística

Maciel é casado com a produtora Rute Pajeú, que também atua como diretora de seus projetos audiovisuais. Com 10 músicas autorais, Maciel também faz homenagens para a neta, na música “Luiza”, e para a esposa e produtora Rute Pajeú na faixa “Flor de Gardênia”.

Colaborações Importantes

Trabalhou ao lado de Naná Vasconcelos (com quem trabalhou, ao lado de Décio Rocha, na trilha do curta Tejucupapo, de Marcílio Brandão), além de parcerias com Siba, seu pai Mestre Salustiano e Nação Zumbi.

Legado e Continuidade Cultural

Preservação Ativa das Tradições

A mistura de inovação com tradição é uma constante no trabalho de Maciel Salú. Ele consegue fazer bem esta mescla de novos sons, acordes e instrumentos com a raiz tradicional, rabeca e ensinamentos populares, “sem perder a identidade nunca”.

Formação de Novos Artistas

Através de sua atuação na Orquestra Contemporânea de Olinda e de seus projetos educativos, Maciel contribui para a formação de uma nova geração de músicos comprometidos com as tradições populares.

Ponte Entre Gerações

Como representante da terceira geração da família Salustiano e militante cultural ativo, Maciel estabelece pontes importantes entre os mestres antigos e os jovens artistas, garantindo a continuidade das tradições culturais pernambucanas.

Reconhecimento e Projeção

Trajetória Internacional

O olindense tem um currículo cheio, passando pelo movimento mangue beat com a banda Chão e Chinelo, adentrando na música eletrônica com a Orchestra Santa Massa, demonstrando sua versatilidade e capacidade de adaptação a diferentes contextos musicais.

Documentário Biográfico

Uma vida dedicada ao fazer artístico. É assim a trajetória de Maciel Salú, que cresceu e amadureceu em meio à arte, como documentado em vídeo biográfico que retrata sua contribuição para a cultura pernambucana.

Maciel Salú representa a síntese perfeita entre tradição e inovação na música popular pernambucana. Sua trajetória exemplifica como é possível honrar as raízes culturais familiares enquanto se explora novos horizontes artísticos, sempre mantendo o compromisso com a preservação e renovação das tradições populares nordestinas.

Através de sua música inovadora e de seu ativismo cultural, ele garante que manifestações como o maracatu rural, o cavalo-marinho e a arte da rabeca permaneçam vivas e relevantes para as novas gerações, estabelecendo-se como um dos mais importantes guardiões da cultura popular brasileira contemporânea.