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Bia Marinho

Bia Marinho

Conheça a cantora, compositora e repentista Bia Marinho. Explore a biografia, as músicas e a força poética que a torna uma das homenageadas do São João do Recife.
Gênero Musical: Forró | MPB | Música Regional
Ritmo: Aboio | Forró | Repente | Toada | Xote

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Maria Beatriz Marinho Patriota do Nascimento, conhecida artisticamente como Bia Marinho, é uma das mais respeitadas representantes da música sertaneja e da tradição oral nordestina. Nascida em 19 de maio de 1965 em São José do Egito, no Sertão do Pajeú, Pernambuco, cidade reconhecida internacionalmente como Terra da Poesia, Bia carrega em sua trajetória o peso e a beleza de uma linhagem familiar dedicada à arte da palavra cantada.

Herança Familiar e Primeiras Influências

Bia Marinho nasceu em um ambiente onde a poesia e a música eram elementos naturais do cotidiano. Filha caçula de Lourival Batista, o célebre Louro do Pajeú – um dos maiores nomes da poesia oral do Brasil -, ela também é sobrinha dos grandes repentistas Dimas e Otacílio Batista. Este último é autor do verso imortal “Mulher nova, bonita e carinhosa/Faz o homem gemer sem sentir dor”, que se tornou um dos maiores sucessos da Música Popular Brasileira[3].

A artista é ainda neta de Antônio Marinho, o primeiro grande poeta da história de São José do Egito e o primeiro repentista ouvido por Ariano Suassuna. Sua mãe, Helena Marinho, foi uma grande mulher que influenciou as famílias de toda a cidade pelo seu estado de comunhão intenso e estruturador.

Uma lenda popular da região conta que um cantador enterrou sua viola na nascente do Rio Pajeú, e quem bebe dessa água se torna poeta. A força dessa tradição é evidente em São José do Egito, onde a declamação é livre e intensa – vendedores, barbeiros, açougueiros, professoras e crianças, todos são poetas.

Início da Carreira Musical

Com toda essa herança poética à disposição, Bia não demorou a fazer sua escolha pela arte. Desde os cinco anos de idade já se apresentava em eventos da escola e da igreja. Aos dezesseis anos, em outubro de 1981, fez seu primeiro show profissional e, desde então, nunca viveu de outro ofício.

A grande marca de sua carreira foi o encontro com Zeto do Pajeú, poeta, músico, cantor e compositor natural de Canhotinho, no Agreste pernambucano. Zeto foi marido e parceiro de palco por quase dezessete anos, até falecer no dia 14 de outubro de 2002.

Parceria com Zeto do Pajeú

A dupla Zeto e Bia Marinho marcou época na música nordestina das décadas de 1980 e 1990. Juntos, ganharam festivais de música importantes de Pernambuco, como o Fempp e o Fercan. Em 1989, gravaram o LP “Estrada”, em homenagem a Zé Marcolino, disco que trouxe as primeiras composições da dupla.

Zeto do Pajeú (1956-2002) era um autêntico cantador do sertão antigo, como ele mesmo afirmava em sua cantiga “Andarilho”: “Imitar os ciganos andarilhos, percorrer os caminhos dos trocadilhos”. Durante uma viagem a São Paulo, conheceu Bia e mudou-se para São José do Egito, onde tiveram os filhos Antônio Marinho do Nascimento e Miguel Marinho.

Carreira Solo e Discografia

Após o falecimento de Zeto, Bia seguiu em carreira solo, consolidando-se como compositora respeitada e intérprete única. Sua discografia inclui:

  • “Estrada” (1989) – LP com Zeto do Pajeú, em homenagem a Zé Marcolino
  • “Sabiá” (1997) – primeiro trabalho solo
  • “A Convites” (2004)
  • “Cantos Dalí” (2006)
  • “Tempero do Forró” (2013)

Além dos álbuns solo, participou de inúmeros CDs e DVDs de amigos, consolidando sua presença na cena musical nordestina.

Reconhecimento como Compositora

Bia Marinho é uma compositora respeitada, tendo suas canções gravadas por importantes nomes da música nordestina, incluindo Amelinha, Santanna – o cantador, Alcimar Monteiro, Irah Caldeira, Kelly Rosa, Delmiro Barros, Val Patriota, Nádia Maia, Tonfil, Em Canto e Poesia (formado por seus filhos Gregório, Antonio e Miguel Marinho), Mastruz com Leite e muitos outros.

Produção Cultural e Preservação da Memória

Como produtora cultural, Bia vai além da música, dedicando-se à preservação e promoção da cultura sertaneja. É criadora e coordenadora do Festival Zeto/Udistoque Pajeuzeira (edições 2018 e 2019) e do Encontro de Arte e Cultura das cidades do Pajeú, já com duas edições realizadas no Recife.

Bia também é gestora do Instituto Lourival Batista, entidade com sede em São José do Egito destinada à salvaguarda da obra de seu pai, o poeta Louro do Pajeú. O instituto realiza a Festa de Louro e outras ações culturais na região do Sertão do Pajeú.

Formação Musical Autodidata

Diferentemente de muitos artistas contemporâneos, Bia nunca estudou música formalmente. Como ela mesma afirma: “Eu nunca estudei música, ela aconteceu na minha vida naturalmente!”. Sua principal influência sempre foi e continua sendo sua origem familiar e regional.

Homenagem no São João do Recife 2025

Em 2025, Bia Marinho foi escolhida como uma das homenageadas do São João do Recife, ao lado da Banda de Pau e Corda e Novinho da Paraíba. A homenagem reconhece sua contribuição como “filha de São José do Egito, no Sertão do Pajeú, de onde saíram muitas gerações devotadas ao mote, ao acorde e à rima”.

Legado e Continuidade

Bia Marinho representa a continuidade viva da tradição oral nordestina. Fruto e semente da tradição oral nordestina, como é descrita oficialmente, ela cumpriu a sina da rima, que defende em canto e verso com todas as suas certezas, belezas e gerações.

Seus filhos formaram o grupo Em Canto e Poesia, garantindo que a tradição familiar continue se renovando. Através de sua arte e trabalho de preservação cultural, Bia mantém viva a chama da poesia sertaneja, conectando as raízes ancestrais com as novas gerações.