Entre os dias 23 e 26 de julho de 2026 (de quinta-feira a domingo), o imponente Teatro Luiz Mendonça, localizado no Parque Dona Lindu, sedia a curtíssima e concorrida temporada de “Fim de Partida”.
A montagem traz ao Recife um encontro de titãs nos palcos: o genial e consagrado Marco Nanini divide a cena com o brilhante Guilherme Weber, sob a direção do multipremiado Rodrigo Portella.
Escrita nos anos 1950 pelo genial dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett (vencedor do Prêmio Nobel de Literatura), Fim de Partida (Endgame) nasceu sob o impacto devastador e as feridas abertas da Segunda Guerra Mundial. Nesse cenário árido e pós-apocalíptico, a peça nos apresenta Hamm e Clov, duas figuras que simbolizam a exaustão física e emocional de um mundo que ruiu. Sete décadas após a sua criação, o texto de Beckett continua a ecoar de forma assustadoramente atual em nossa sociedade contemporânea.
Em cena, Hamm (Nanini) é um velho cego e paralítico que depende inteiramente de Clov (Weber), seu servo incapaz de se sentar. Presos em um abrigo claustrofóbico, os dois personagens vivem uma relação simbiótica de trágica dependência física e psicológica, atravessada por jogos de poder, diálogos ácidos, humor melancólico e uma espera sem fim por um desfecho que nunca chega.
“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite”, reflete Marco Nanini.
A ideia de encenar o clássico nasceu de uma provocação de Guilherme Weber, que sugeriu o texto a Nanini. Os dois atores já possuem uma bela folha de serviços prestados juntos ao teatro brasileiro, tendo dividido o palco nas históricas montagens de Os Solitários (2002) e A Morte do Caixeiro Viajante (2004).
Espetáculo com Grande Elenco
Para dar vida a este universo de ruínas e poesia, a montagem reuniu um grande elenco que conta com Helena Ignez e Ary França. Além disso, a direção do espetáculo é assinada por Rodrigo Portella, um dos diretores mais badalados e consagrados da cena contemporânea brasileira, responsável pelo sucesso estrondoso de peças como Tom na Fazenda, Ficções (com Vera Holtz) e Um Ensaio sobre a Cegueira (com o Grupo Galpão).
A retaguarda criativa da peça traz parceiros históricos de Nanini, como a cenógrafa Daniela Thomas, o iluminador Beto Bruel, o figurinista Antonio Guedes e a produção artística de Fernando Libonati, que acompanha os projetos do ator há três décadas.
As Três Camadas de “Fim de Partida”
Para decifrar o mistério e a beleza do texto de Beckett, o diretor Rodrigo Portella dividiu a encenação em três fluxos complementares:
A Simbiose Afetiva: A dependência mútua e inevitável entre Hamm e Clov, que precisam um do outro para continuar existindo, mesmo sob o peso da crueldade cotidiana.
A Alegoria Política: Hamm surge como um tirano cego e arbitrário (uma alusão à lógica da guerra e do autoritarismo), enquanto Clov representa o corpo dócil, o soldado de vigília permanente, incapaz de descansar, preso a uma engrenagem militarista que já não faz sentido.
O Metateatro (Teatro dentro do Teatro): Evidenciado pela belíssima cenografia de Daniela Thomas, que coloca um palco menor retangular dentro do próprio palco do teatro. Clov funciona como o clown (o palhaço que opera a cena), enquanto Hamm é o ator principal, o narrador canastrão sustentado pelas fábulas que cria sobre si mesmo.
Serviço:
[Teatro] Fim de Partida
Local: Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu (Av. Boa Viagem, s/n, no bairro de Boa Viagem)
Datas e horários: 23, 24 e 25 de julho (quinta, sexta e sábado), às 20h e 26 de julho (domingo), às 19h
Classificação indicativa: 16 anos
Ingressos: Plateia Premium: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia-entrada) | Plateia: R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia-entrada)
Vendas: www.teatroluizmendonca.byinti.com/#/event/fim-de-partida