PUBLICIDADE

Gregorio Duvivier traz o espetáculo “O Céu da Língua” ao Teatro do Parque

Dirigido por Luciana Paes, com texto e interpretação de Duvivier, comédia sobre a presença quase invisível da poesia no cotidiano chega ao Recife para três sessões dias 12 e 13 de setembro

Picture of Larissa Lima

Larissa Lima

Gregorio Duvivier em O Céu da Língua ©Priscila PradeGregorio Duvivier em O Céu da Língua ©Priscila Prade

Nos dias 12 e 13 de setembro, o humorista Gregorio Duvivier apresenta o espetáculo “O Céu da Língua” no Teatro do Parque. O espetáculo estreou em Portugal em 2024, chegou ao Brasil em fevereiro deste ano e cumpriu uma extensa turnê que já acumula mais de 60 mil espectadores.

No monólogo cômico, o artista usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e o assunto é prazeroso e divertido. 

“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura.” 

A direção é da atriz Luciana Paes, parceira de Gregorio nos improvisos do espetáculo “Portátil”. No palco, com cenografia de Dina Salem Levy, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier, irmã do comediante, manipula as projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só Gregorio e sua lábia desafiadora.


PORTUGAL – Nesta cumplicidade com a plateia, Gregorio mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e, claro, homenageia Portugal, o país que emprestou ao Brasil a sua língua para que todos se comunicassem. Além de Fernando Pessoa, o ator evoca o poeta Eugênio de Andrade e lembra de que a origem de “O Céu da Língua” está relacionada ao espetáculo “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”. O divertido intercâmbio linguístico colocou no mesmo palco Gregorio e o humorista luso Ricardo Araújo Pereira em improvisações sobre o idioma que os une. “Ele é um cara apaixonado pela palavra, então, a gente entrava em cena e falava, emendava um assunto no outro e, quando acabava a peça, ainda tinha muito a dizer”, lembra Gregorio.    

Vem de Portugal também uma das maiores inspirações de Gregorio, inclusive para a criação do coletivo “Porta das Fundos”, que, a partir de 2012, ditou através da internet uma nova linguagem de humor no Brasil. Trata-se do Gato Fedorento, quarteto formado em 2003 por humoristas portugueses, entre eles Araújo Pereira. Depois de criarem um blog, os integrantes do Gato Fedorento chegaram até a televisão e lotaram teatros, influenciando Gregorio e os colegas brasileiros Antônio Tabet, Fábio Porchat, João Vicente de Castro e Ian SBF no “Porta dos Fundos”. “Temos uma reparação a fazer porque o Brasil recolonizou Portugal, e eles consomem muito mais a cultura brasileira que a deles”, avalia Gregorio. “Por isso, esse intercâmbio deve ser mais explorado; existem coisas geniais que não conhecemos.”