Reconhecida por criar a mistura perfeita entre teatro e música em seus trabalhos, a Barca dos Corações Partidos traz ao Recife o musical ‘Jacksons do Pandeiro’. As apresentações acontecem no Teatro do Parque, no centro do Recife, com sessões de 27 a 30 de junho, sempre às 19h.
Vencedor do prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro) e indicado como Melhor Espetáculo Virtual pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), o musical ‘Jacksons do Pandeiro’ celebra o ilustre cantor, compositor e multi-instrumentista paraibano José Gomes Filho (1919-1982). O ‘Rei do Ritmo’, como era conhecido, compôs mais de 400 canções recheadas de gêneros brasileiríssimos, como samba, forró, coco, baião e frevo.
A idealização e produção do projeto é de Andréa Alves, da Sarau Cultura Brasileira, responsável por espetáculos como ‘Elza’, ‘Suassuna – O Auto do Reino do Sol’, ‘Sísifo’, ‘Macunaíma’ e ‘A Hora da Estrela ou o Canto de Macabéa’. ‘Jacksons do Pandeiro’ tem direção de Duda Maia, texto de Braulio Tavares e Duda Rios e direção musical de Alfredo Del-Penho e Beto Lemos.
O espetáculo não é uma biografia; ela aborda episódios e músicas de Jackson que se relacionam com a vida dos atores em cena. “Optamos por distribuir a ação em brincantes que contam pedaços de suas histórias pessoais, as quais em muitos pontos coincidem com a história de Jackson. Falando de Jackson, falamos desses nordestinos anônimos. Falando deles, falamos do cantor e compositor que levou a vida deles para as rádios e as TVs, em forma de cocos e baiões”, analisa o autor paraibano Braulio Tavares, que assim como seu colega de trabalho pernambucano Duda Rios, tem profunda relação com a cultura nordestina e sua poesia popular.
Ainda sobre a dramaturgia, Tavares explica: “Às vezes, o texto do espetáculo aparece em forma de música, às vezes como uma poesia ou um poema musicado. Cada vez que ele aparece, ele propõe uma nova brincadeira rítmica – mesmo não tendo uma métrica de poesia – por meio de um jogo de palavras ou outro mecanismo. A nossa ideia é fazer isso para dialogar com as músicas do Jackson, que tinham poesia, brincadeira e alegria”.
O universo rítmico do homenageado norteou toda a concepção do musical. A diretora Duda Maia aprofundou sua pesquisa sobre a ideia de ‘corpo-rítmico’ dos atores, ao abordar um compositor cuja obra é marcada pelo suingue, ginga e síncope, aquele tempo musical presente no samba e em outros gêneros, quando o ritmo sai do tempo esperado.
O elenco, formado por Adrén Alves, Alfredo Del-Penho, Beto Lemos, Renato Luciano (que substitui Duda Rios, atualmente na novela ‘No Rancho Fundo’, da Globo) e Ricca Barros, divide a cena com artistas convidados: Jef Lyrio, Everton Coroné, Lucas dos Prazeres e Luiza Loroza. Juntos, passaram meses envolvidos em oficinas, pesquisas e em um longo processo de ensaios, quando o texto foi desenvolvido a partir de exercícios e histórias pessoais.
TRILHA SONORA – A construção da trilha sonora partiu de uma minuciosa investigação sobre o vasto repertório de Jackson do Pandeiro. O musical reúne sucessos como ‘Sebastiana’, ‘O Canto da Ema’, ‘Chiclete com Banana’, ‘Cantiga do Sapo’ e outras composições menos conhecidas, que revelam mais da alma brasileira e sincopada do artista. Além dessas canções, o musical traz músicas novas, que transformam a obra do homenageado, ao dar novos arranjos, acrescentar letras e introduzir canções criadas no processo. “É um ‘pedir licença’ à obra dele, mas sem deixar de homenageá-lo com todo respeito, carinho e admiração”, conta Duda Rios.
Assim como nas montagens anteriores da Barca, em ‘Jacksons do Pandeiro’ todos os instrumentos são tocados pelos atores em cena. “Trazemos a forma sincopada do canto para o jogo de cena o tempo todo. Em nosso título, Jacksons aparece no plural porque são várias histórias que se cruzam e se confundem com a de Jackson”, reflete Duda Maia.
A diretora revela ainda que dividiu o palco em dois espaços cenográficos, nos quais os atores brincam com seus diferentes níveis e alturas. Como Jackson era fã de filmes de faroeste, ela concebeu a encenação de algumas canções como pequenos curtas-metragens ou clipes animados, apresentados em um local que remete a uma tela de cinema.
O musical estreou online na pandemia em 2020, ganhou os palcos dois anos depois e, agora, chega ao Recife com patrocínio master da Petrobras – através do programa Petrobras Cultural – e da Rede.
Os ingressos estão à venda na Sympla e custam R$60 Plateia 1 (meia), R$19,50 Plateia 2 (meia) e Camarote 19,50 (meia).