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Praça do Arsenal: Um Mergulho na História, na Arte de Burle Marx e na Renovação do Bairro do Recife

Conheça a história da Praça do Arsenal, que agora vai ganhar um obra de requalificação.

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Larissa Lima

Praça do Arsenal - Foto: Narciso Lins/Prefeitura do Recife

Um dos espaços mais queridos e pulsantes do Recife Antigo, a Praça do Arsenal, vai ganhar uma cara nova. A Prefeitura do Recife iniciou uma grande obra de requalificação no local, com a promessa de resgatar o traçado original de 1934, concebido por ninguém menos que o gênio do paisagismo, Roberto Burle Marx.

Mas o que torna essa praça tão especial? E quem foi Burle Marx? O RecifeMais te convida para um passeio pela história, curiosidades e o futuro deste que é um dos principais palcos da cultura recifense.

Uma História de Canhões, Obeliscos e Transformações

O nome “Arsenal” não é por acaso. A praça está localizada onde antes funcionava o antigo Arsenal da Marinha de Pernambuco, um complexo de armazéns e oficinas navais. Com a desativação e demolição do Arsenal, o espaço se transformou em uma praça pública, mantendo viva a memória do local. A única construção original que restou, de pé até hoje, é a imponente Torre Malakoff, batizada em homenagem a uma fortaleza da Guerra da Crimeia e que hoje funciona como um importante observatório e espaço cultural.

Quem Foi Roberto Burle Marx, o Jardineiro do Recife?

Considerado um dos maiores artistas plásticos e paisagistas do século XX, Roberto Burle Marx (1909–1994) revolucionou o paisagismo no Brasil. Ele foi um dos primeiros a romper com os modelos de jardins europeus, valorizando e utilizando em seus projetos a riqueza da flora nativa brasileira.

Durante os anos 1930, quando viveu no Recife, Burle Marx deixou um legado inestimável, projetando 15 jardins históricos que hoje são patrimônio da cidade, incluindo a Praça de Casa Forte, a Praça da República e, claro, a Praça do Arsenal.

A Requalificação: De Volta às Origens de Burle Marx

A obra, com previsão de entrega para 15 de outubro, é inspirada no projeto original de Burle Marx e busca criar um espaço mais acessível, acolhedor e verde. Confira as principais mudanças da Praça do Arsenal:

  • Fim da Fonte, Volta do Jardim: A fonte central, instalada nos anos 70, será removida. Em seu lugar, será criado um grande jardim com espécies de restinga, vegetação nativa adaptada à salinidade, reforçando a “brasilidade” da obra de Burle Marx.
  • Mais Acessibilidade e Espaço Livre: A praça será nivelada, com a remoção de gradis e escadarias. O piso de pedra portuguesa será substituído por placas de concreto liso, facilitando a circulação e criando uma grande esplanada aberta.
  • Mobiliário Moderno e Verde Preservado: Serão instalados novos bancos, bicicletário e lixeiras. As árvores já existentes, como oitizeiros e as icônicas palmeiras imperiais, serão preservadas e integradas ao novo paisagismo.

Curiosidades sobre a Praça do Arsenal

  • Já teve um Obelisco: Nem sempre a praça teve uma fonte ou um jardim no centro. Por muitos anos, o local abrigou um grande obelisco, que mais tarde foi transferido e hoje se encontra na Praça Maciel Pinheiro, no bairro da Boa Vista.
  • Outros Nomes: O nome oficial da praça é Artur Oscar, em homenagem a um general que atuou na Guerra de Canudos. No entanto, o nome popular “Praça do Arsenal” foi o que permaneceu na memória afetiva do recifense.
  • Coração Cultural: A Praça do Arsenal é um verdadeiro polo boêmio e cultural. Além da Torre Malakoff, ela abriga em seu entorno o Paço do Frevo e está a poucos passos da Embaixada dos Bonecos Gigantes e da Rua do Bom Jesus com bares badalados que animam a noite no centro do Recife.
  • Marcas da História: Durante uma revolta popular contra a implantação do sistema métrico decimal e novos impostos, o governo decidiu vender o terreno do Arsenal da Marinha para uma companhia inglesa, o que incluía a demolição da Torre Malakoff. A população do Recife, vendo a torre como um símbolo da cidade, se revoltou para impedir a demolição. Liderados por figuras como o futuro industrial Delmiro Gouveia, o povo conseguiu salvar a torre, num ato de resistência cívica que ficou marcado na história da cidade como a Revolta do “Quebra-Quilos”.
  • Busto do Almirante Tamandaré: Frequentemente chamado de “Velho Marinheiro”, o Almirante Tamandaré, cujo nome de batismo era Joaquim Marques Lisboa, é o patrono da Marinha do Brasil. e participou de momentos cruciais da formação e defesa do território brasileiro durante o século XIX. O busto do Almirante, que hoje fica na praça, será transferido para o Quartel da Marinha após a obra da praça.

Fontes da Pesquisa: G1 Pernambuco – Bom Dia PE, 2024 | Diário de Pernambuco | Museu da Cidade do Recife.

Festa de Nossa Senhora do Carmo – Devoção que move o Recife