A valorização do cinema realizado por mulheres e dissidências de gênero na América Latina ganha um importante capítulo de formação e descentralização territorial em solo pernambucano. Entre os dias 15 e 26 de outubro de 2026, o Festival de Cinema OLAR (Observatório Latino-americano de Realizadoras) recebe inscrições para as atividades da sua Sala de Formação OLAR, oferecendo oficinas 100% gratuitas nas cidades de Paudalho e Carpina, na Zona da Mata Norte.
As atividades formativas antecedem a programação oficial de exibições do festival — marcada para o período de 11 a 14 de novembro de 2026 — e são voltadas para pessoas maiores de 18 anos, sem a necessidade de experiência prévia na área audiovisual. O resultado da seleção dos participantes será divulgado no dia 30 de outubro.
Como política afirmativa de democratização e interiorização do acesso, o projeto disponibilizará ainda três bolsas de estudo completas destinadas a estudantes do interior de Pernambuco, assegurando custeio integral para transporte, alimentação e hospedagem durante o período do festival.
O Olhar do OLAR: Da Memória Coletiva à Ocupação Territorial
Fundado em 2020 pelas realizadoras Cíntia Lima e Lílian de Alcântara, o Observatório Latino-Americano de Realizadoras nasceu com a missão urgente de resgatar memórias, incentivar a pesquisa e difundir a cinematografia produzida por realizadoras mulheres e dissidências de gênero na América Latina e no Caribe.
Realizado em formato bienal desde 2022, o Festival de Cinema OLAR chega em 2026 à sua terceira edição fincando raízes na Zona da Mata, construindo pontes diretas entre cineastas internacionais, mestras locais e o público do interior: “Chegar à terceira edição e ampliar o festival é também criar novos espaços de encontro com o cinema. A Sala de Formação OLAR traz duas experiências diferentes: uma oficina prática de atuação para cinema, voltada ao trabalho diante das câmeras, e outra, em parceria com o Archivo Reversible, que parte do arquivo e da colagem para refletir sobre a presença das mulheres no cinema peruano”, ressalta Lílian de Alcântara, diretora artística do Festival de Cinema OLAR.
As Oficinas: Interpretação Audiovisual e Arquivo Vivo
A Sala de Formação estruturou dois percursos pedagógicos complementares que cruzam a prática cênica e a arqueologia visual:
🎬 Em Paudalho: “Atuação para Cinema” com Clébia Sousa
- Ministrante: Atriz e preparadora de elenco graduada em Artes Cênicas pela UFPE, Clébia acumula atuações em marcos do cinema contemporâneo como Bacurau, O Som ao Redor, Tatuagem e Fortaleza Hotel, além de séries como Cangaço Novo, Manhãs de Setembro e Maria e o Cangaço. Como preparadora, destacou-se no longa O Último Azul.
- Proposta: Mergulho nas especificidades da atuação para as lentes. Exercícios de consciência corporal, voz, gestualidade, expressão facial e dinâmicas emocionais, desmistificando as fronteiras entre o palco teatral e a linguagem cinematográfica.
🎞️ Em Carpina: “Mexendo no Archivo Reversible: Oficina de Ensaio Collage” com Lorena Best Urday
- Ministrante: Pesquisadora, cineasta, educadora e professora da Universidad Peruana de Ciencias Aplicadas (UPC). Doutoranda em Cinema pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Lorena é co-criadora do Archivo Reversible, plataforma dedicada à salvaguarda do cinema de não-ficção produzido por mulheres no Peru entre 1970 e 2020.
- Proposta: Reflexão crítica sobre narrativas, hierarquias industriais e dinâmicas de poder no registro documental. A partir de obras seminais como ¿Y después qué? (1983, de Victoria Chicón), Luna de Almendra (1992, de Rosa Marca Alvárez Gil) e Programa Amiga (1995, de Ana Uriarte), as alunas experimentarão a colagem (collage) como ferramenta poética e política de recriação.
Realização e Fomento Cultural
O Festival Olar 3 é uma produção da produtora independente carpinense Olar Filmes, viabilizado com incentivo do Funcultura Audiovisual, Fundarpe e Secretaria de Cultura do Governo do Estado de Pernambuco, contando com apoio da Lei Paulo Gustavo (PE) e do Ministério da Cultura.