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Longa pernambucano “Os Vivos Caminham a Terra” faz estreia mundial no 59º Festival de Brasília

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Larissa Lima

A força, a poesia e a invenção do cinema feito em Pernambuco continuam a conquistar as maiores vitrines do audiovisual brasileiro. O primeiro longa-metragem de ficção do realizador, roteirista, montador e produtor recifense Pedro Maia de Brito, intitulado “Os Vivos Caminham a Terra”, foi selecionado para realizar sua estreia mundial na prestigiada mostra competitiva da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Filmado inteiramente em um impressionante preto e branco em resolução 4K, o longa prescinde de diálogos tradicionais para construir uma experiência sensorial, plástica e sonora arrebatadora, onde o gesto, a atmosfera, a matéria e a paisagem assumem o protagonismo da cena.

⛰️ Mitos e Metamorfoses Entre PE, PB e RN

A narrativa parte de uma premissa cosmológica e filosófica provocativa: “Tudo o que existia era eternidade. Então, a vontade inconformada das coisas originou metamorfose.” A partir dessa ideia, o filme entrelaça o cinema espiritual ao surrealismo mitológico, criando um universo artesanal em permanente mutação.

Para dar corpo a essa cosmogonia própria, a produção percorreu paisagens de forte potência mística pelo Nordeste:

  • O majestoso Vale do Catimbau, em Buíque (Sertão do Agreste pernambucano);
  • O icônico Castelo de Zé dos Montes, no Rio Grande do Norte;
  • A monumental Pedra da Boca, na Paraíba.

O elenco traz o protagonismo marcante de Nivaldo Nascimento e a participação especial de Fernando Teixeira, somados à presença de atores não profissionais das próprias comunidades locais onde as filmagens foram realizadas.

🎼 Trilha Internacional e Esmero Técnico

A estética rigorosa e hipnotizante de Os Vivos Caminham a Terra é sustentada por uma equipe técnica de grande prestígio:

  • Trilha Sonora Original: Assinada pela compositora húngara Petra Szászi;
  • Desenho de Som e Mixagem: Conduzidos pelo mestre Nicolau Domingues;
  • Direção de Fotografia: Danilo Rosa (explorando com maestria as luzes e sombras da paisagem sertaneja);
  • Direção de Arte e Figurinos: Denise Vieira.

O longa é uma realização da Miúdo Cinematográfico (produtora criada por Pedro Maia de Brito), em coprodução com a Riacho, associada às produtoras Cajamanga e Sound8, contando com o fomento do Funcultura (Governo do Estado de Pernambuco).

🏆 O Reencontro de Pedro Maia de Brito com Brasília

A seleção para o 59º Festival de Brasília representa um reencontro cheio de simbolismo para Pedro Maia de Brito. O cineasta recifense possui um histórico vitorioso no mais antigo festival de cinema do país:

  • 2018: Venceu o cobiçado Troféu Candango de Melhor Curta-Metragem pelo filme “Conte Isso Àqueles Que Dizem Que Fomos Derrotados”;
  • 2020: Conquistou o Prêmio Abraccine de Melhor Longa-Metragem da Crítica pelo aclamado documentário “Entre Nós Talvez Estejam Multidões”.

Com formação internacional que inclui passagens pelo Berlinale Talents, Residência Arché-Work e o programa Produire au Sud, Pedro já exibiu suas obras em importantes festivais globais, como Doclisboa, Bienal Videobrasil, Málaga e Festival des 3 Continents (França). Em seu primeiro longa de ficção, o cineasta aposta na radicalidade da linguagem para reafirmar a potência do cinema pernambucano no mundo.