“É preciso temperar sabiamente o trabalho com a contemplação e o descanso.”, essa reflexão atemporal lançada na década de 60 pelo genial dramaturgo e romancista Ariano Suassuna volta a atingir em cheio o coração do público recifense. No dia 7 de agosto de 2026, o grupo Célula de Teatro estreia uma montagem inédita do clássico “Farsa da Boa Preguiça”, antecipando as celebrações pelo centenário de nascimento do mestre armorial, que será comemorado em 2027.
Integralmente fiel ao texto original, a produção cumprirá uma temporada de oito apresentações ao longo de todo o mês de agosto, dividida entre os palcos do Teatro Barreto Júnior, no Pina (dias 7, 8, 9, 14, 15 e 16), e do histórico Teatro do Parque, na Boa Vista (dias 28 e 29). Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada) e já estão à venda na plataforma Sympla.
🎭 Fidelidade ao Texto e Dez Meses de Preparação
Para dar vida ao texto que combina elementos do auto popular, literatura de cordel e a tradição oral nordestina, o grupo Célula de Teatro realizou um minucioso processo de pesquisa e ensaios ao longo de dez meses.
Para o diretor da peça, Domingos Soares, a escolha por manter a obra de Ariano intacta justifica-se pela sua atualidade permanente: “Optamos por seguir fielmente a obra de Ariano, porque ela tem como características a universalidade e a imperecibilidade: funciona em todo lugar do mundo, em qualquer época. Escrita há quase 70 anos, a ‘Farsa da Boa Preguiça’ traz questões extremamente atuais sobre a pressa, o consumo e o valor do descanso. É um texto que tem muito a dizer sobre o hoje”, garante Domingos.
Arte, Fé e os Dilemas do Cotidiano
Escrita em 1960 e encenada pela primeira vez em 1961, no lendário Teatro de Arena do Recife, a comédia acompanha as peripécias de Joaquim Simão, um poeta e cantador que defende com unhas e dentes o direito à contemplação, à imaginação e à criação artística em um mundo focado apenas no pragmatismo e no acúmulo material.
A trama ganha contornos hilários e cômicos quando Joaquim precisa equilibrar os anseios de sua esposa, Nevinha, com a avareza e a soberba dos vizinhos Aderaldo e Clarabela, enquanto santos e demônios travam uma verdadeira batalha espiritual em torno da alma do poeta.
Através do riso e da poética armorial, a peça coloca no centro do palco as tensões entre o trabalho e a sobrevivência, expondo a histórica relação entre exploradores e explorados — questões que ganham reflexos ainda mais contundentes na era atual de hiperconexão, redes sociais e produtividade tóxica.
Elenco e a Trajetória do Célula de Teatro
Fundado no Recife em 2017, o grupo Célula de Teatro consolidou sua presença na cena local com a aclamada montagem de As Bruxas de Salém (de Arthur Miller), em cartaz entre 2019 e 2024. Para esta nova empreitada suassuniana, o coletivo reuniu um elenco numeroso e afinado:
- Joaquim Simão: Djalma Albuquerque
- Nevinha: Paula Mendes
- Aderaldo Catacão: Cavi Baso
- Clarabela: Roseane Tachlitsky
- Manuel Carpinteiro: Domingos Soares
- Miguel Arcanjo: Eder Camargo
- Simão Pedro: Paulo Sérgio
- Cão Caolho (Quebrapedra): Guto Santana
- Cão Coxo (Fedegoso): José Miranda
- Cancachorra (Andreza): Karol Spinelli
📝 Serviço — “Farsa da Boa Preguiça” no Recife
Temporada no Teatro Barreto Júnior (Pina)
- Quando: 7, 8, 9, 14, 15 e 16 de agosto de 2026.
- Horários:
- Sextas e Sábados (dias 7, 8, 14 e 15): às 19h30.
- Domingos (dias 9 e 16): às 19h.
- Onde: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n – Pina, Recife).
Temporada no Teatro do Parque (Boa Vista)
- Quando: 28 e 29 de agosto de 2026 (Sexta e Sábado).
- Horário: Às 19h30.
- Onde: Teatro do Parque (Rua do Hospício, 81 – Boa Vista, Recife).
Ingressos e Informações
- Valores: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada).
- Vendas Online: Plataforma Sympla.
- Classificação Indicativa: Livre.
- Informações: Pelo Instagram @celuladeteatro.