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Torre Malakoff recebe exposição coletiva “Observa 3” com obras de cinco artistas visuais

Público poderá apreciar parte do acervo de cinco artistas que ocuparão o térreo e o primeiro andar do equipamento cultural do Estado

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Larissa Lima

Torre Malakoff - Foto: Morgana Narjara - SECULT FUNDARPE

O Observatório Cultural Torre Malakoff, equipamento gerido pela Fundarpe, realiza a abertura da exposição coletiva “Observa 3” na quarta-feira (18), às 19h. A mostra conta com a participação de cinco artistas selecionados no edital de ocupação de pautas do espaço: Ana Neves, com o trabalho “Tropical Trópico: aqui tudo derrete”; Geoneide Brandão, com “Entre nós todo o indizível se faz presente”; Ícaro Galvão, com “Encontros Monumentais”; Luciana Borre, com o trabalho “?Toda vez que me perco de mim?”; e Paulo Oliveira, com obras de seu acervo. A entrada da exposição é gratuita.

“A exposição Observa 3 é mais uma ação do Governo de Pernambuco, através de um equipamento gerido pela Fundarpe, em prol da valorização cultural do Estado, promovendo a fruição do setor das Artes Visuais e destacando novos talentos. O Observatório Cultural Torre Malakoff é um espaço voltado para evidenciar os nossos artistas e também atuar fortemente na formação de plateias. A nossa intenção é manter abertos os equipamentos culturais do Estado para o usufruto de todos os artistas pernambucanos”, enfatiza a presidente da Fundarpe, Renata Borba.

Sobre os Artistas e as Exposições

Térreo: Ícaro Galvão – “Encontros Monumentais”

O térreo será ocupado pela exposição fotográfica do artista visual recifense Ícaro Galvão. A mostra reúne nove obras — entre elas um vídeo e trabalhos em grandes formatos – realizadas com a técnica histórica da cianotipia, artesanalmente tonalizadas com infusões de diversos vegetais. O projeto propõe um reencontro com monumentos naturais do interior de Pernambuco, registrando formações rochosas em Sirinhaém e Brejo da Madre de Deus. Partindo de uma fotografia-base, o artista cria composições formadas por repetições e variações cromáticas, evocando a transformação da paisagem e a fragilidade da memória. A mostra propõe um deslocamento simbólico do olhar: do céu à terra, da observação científica à experiência sensível. O público também terá a oportunidade de participar de ações educativas, como visita mediada e oficina de cianotipia. A exposição conta com texto crítico inédito da historiadora Joana D’Arc Lima.

1º Andar: Exposições Individuais

Paulo Oliveira (Acervo Pessoal) – O público também poderá apreciar parte do acervo do artista Paulo Oliveira Quacula, natural de Moreno (RMR). Escultor e velejador com mais de 30 anos de prática artística, ele possui um diversificado acervo de esculturas produzidas com madeiras distintas – raiz de mangue, imburana e casca de cajá – todas coletadas fora de práticas extrativistas. Sua pesquisa é centrada nas relações entre natureza e cultura, explorando a jornada do artista com o deslocamento, o mar, a madeira, o tempo, os sonhos e as viagens.

Ana Neiva – “Tropical Trópico: aqui tudo derrete”A artista visual Ana Neiva apresenta sua primeira exposição individual, reunindo oito obras inéditas, entre textos, pinturas e desenhos. Os trabalhos investigam os deslocamentos de corpos e territórios, propondo um olhar sensível sobre as transformações que atravessam geografias periféricas e racializadas no Sul Global. Com curadoria de Walter Arcela, a exposição articula memória, matéria e ambiente em visualidades híbridas e instáveis, dando visibilidade a narrativas que emergem das zonas não metropolitanas.

Geoneide Brandão – “Entre nós todo o indizível se faz presente”O artista Geoneide Brandão, natural de Ouro Branco (AL), apresenta um conjunto de pinturas que emergem de uma pesquisa pictórica iniciada em 2020, voltada à investigação do afeto e do desejo dissidente. A partir de sua vivência como pessoa não binária vinda do sertão, o artista constrói imagens que atravessam questões de gênero, sexualidade, subjetividade e deslocamento. A pintura é entendida como ferramenta de construção simbólica e política, capaz de tensionar os valores da tradição artística ocidental. O trabalho convida a pensar o amor e a intimidade como forças contra-hegemônicas, especialmente quando vividas entre pessoas queers, tratando o afeto como gesto de resistência e lugar de pertencimento.

Luciana Borre – “?Toda vez que me perco de mim?”Esta exposição da artista Luciana Borre é um conjunto de obras têxteis acompanhadas de contos poéticos, incluindo bordados, tapeçarias, gravuras, instalação, vídeo-arte e livro/objeto. As peças foram produzidas durante o período de isolamento social da pandemia de COVID-19, registrando processos de criação em um tempo introspectivo e de escassez de materiais. A mostra, que aborda a necessidade humana do encontro presencial, possui teor imersivo e tátil e é baseada no livro “Bordando Afetos na Formação Docente” (2020), da própria artista.

OBSERVATÓRIO CULTURAL TORRE MALAKOFF – O equipamento cultural é um importante monumento tombado pela Fundarpe e localizado no Bairro do Recife, área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan). Foi construído no século 19, com materiais provenientes da demolição do Forte do Bom Jesus, para servir como observatório astronômico e portão monumental do Arsenal da Marinha. O caráter militar da obra está presente em sua fachada e na simetria de sua planta, lembrando também mesquitas do Oriente.
No ano 2000 a Torre foi transformada em espaço cultural com destaque para a música e a fotografia. São oito salas de exposição, além de salas educativas e administrativas. Na área externa um anfiteatro serve como espaço para diversos eventos. O observatório do espaço funciona aos domingos, das 16h às 19h30.

Visitações
Endereço: Praça do Arsenal da Marinha, s/nº, Bairro do Recife – Recife
Visitação: Terça a sexta-feira, das 10h às 17h | Domingos, das 15h30 às 19h
Telefone: (81) 3184-3180
Entrada: gratuita
E-mail: [email protected]